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  • Renata Bomfim

Dia Nacional das RPPNs: Celebramos para mostrar que existimos e afirmar que não fugimos à luta!



Em 2017 foi instituído o Dia Nacional da Reserva Particular do Patrimônio Natural, mais conhecidas pela sigla RPPN. Existem variadas modalidades de unidade de conservação (UCs), todas elas reguladas pela Lei 9.985 de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). A RPPN é um tipo de UC que diferente das demais por ser a única cuja criação é feita a partir da iniciativa do proprietário de área rural ou urbana, e não pelo governo, ficando ao encargo deste o seu reconhecimento.



Essa modalidade de UC tem se mostrado essencial para a preservação do remanescente de Mata Atlântica e demais biomas. Dados indicam que cerca 80% do remanescente de Mata Atlântica está em terras de particulares, o que mostra que as RPPNs são um modelo chave para a conservação e recuperação de áreas naturais, especialmente quando urge garantir a segurança hídrica e combater e mitigar os efeitos das mudanças climáticas.


Observamos, de antemão, que cada RPPN criada é uma ganho tanto para a sociedade, quanto para o poder público, pois, significa uma economia de recursos, pois evita desapropriações, indenizações, instalação de estrutura, contratação de funcionários, manutenção, gestão, além de fortalecer o movimento preservacionista.


A crise ambiental que vivenciamos é fruto de um estilo de vida, de um comportamento frente a natureza. A cultura do consumo faz com que as cidades sejam grandes produtoras de lixo. Já a floresta, essa não dorme trabalhando dia e noite e produzindo vida e bem-estar no campo e nas zonas urbanas. As matas prestam serviços ecossistêmicos vitais para a sociedade, mantendo o equilíbrio da vida como um todo, pois, além do ser humano, muitos outros seres dependem da floresta. Infelizmente, a ganância associada à ignorância tem feito com que interesses econômicos se sobreponham à vida e o cenário ambiental vai ficando cada vez mais caótico.


No Brasil, observa-se um avanço significativo no desmatamento, não apenas na Mata Atlântica, mas também no Pantanal, Cerrado e na Amazônia; há também a legalização de práticas criminosas como a grilagem de terras, a vista grossa para o garimpo, a opressão e massacre dos povos originários, a desarticulação dos conselhos ambientais, a criminalização e assassinato de muitos(as) ambientalistas, o enfraquecimento dos órgãos fiscalizadores, enfim, tragédias que não nos permitem ficar paralisados, apenas olhando, ou reclamando, mas que nos convocam à luta. O Xamã Yanomami Davi Kopenawa, uma voz importante na defesa da floresta e dos povos indígenas, alerta para o colapso ambiental iminente, caso o ser humano não mude a sua relação com a mãe natureza, ele declarou: "a Terra está pedindo socorro para que a floresta seja protegida".



Os efeitos benéficos que as áreas naturais propiciam abrangem todas as instâncias da vida cotidiana das pessoas, embora muitas delas nem se deem conta. A água que chega ás torneiras das casas, às plantações e as indústrias, a captura do carbono e demais gazes tóxicos da atmosfera, a manutenção dos polinizadores que garantem quase a totalidade dos alimentos que chegam à mesa, são alguns poucos exemplos do bem que as florestas nos fazem. Variados países, por exemplo, já praticam o "banho de floresta", uma atividade que vem ganhando adeptos, motivados pelos resultados positivos que a exposição às áreas verdes promovem. Há, ainda, diferentes formas de atividades esportivas e de lazer que podem ser realizados em parques e reservas, a pesquisa científica que nos lega remédios e conhecimentos, etc., se observarmos bem, veremos que na realidade, são as áreas protegidas que nos protegem.


Municípios e cidades só ganham com as reservas ambientais, em especial com as RPPNs, pois, além desses espaços verdes gerarem saúde e qualidade de vida, eles embelezam as áreas urbanas e geram trabalho e renda com o turismo ecológico.


A RPPN Reluz é um sonho que tornou realidade. A Reluz foi reconhecida pelo Governo Federal e pelo Governo do Estado do Espírito Santo em 2017, mesmo ano em que foi instituído o Dia Nacional das RPPNs, também por isso o dia 31 de janeiro possui um significado especial para nós. Embora sejamos uma reserva ambiental desde 2007, a ratificação do compromisso de preservar essa área, por meio do registro em cartório, destinando a floresta para preservação perpétua, nos dá muita satisfação e reforça a nossa responsabilidade com a proteção da biodiversidade.



Sabemos que na atual conjuntura não basta proteger as florestas, é preciso também restaurar as áreas naturais degradadas. Embora todos os dias e em todos os estados da federação haja pessoas destinando as suas terras para a preservação e doando o seu trabalho pelo bem comum, no dia 31 de janeiro, as nossas vozes se unem para celebrar, protestar, denunciar e convidar toda a sociedade para se juntar a nós nesse movimento de amor pelo planeta!



Renata Bomfim

Presidente do Instituto Ambiental Reluz.

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