Rubén Darío:
Retrato Íntimo
Exposição de vídeos e fotos em homenagem ao poeta nicaraguense Rubén Dario
na ocasião do I Simpósio Internacional Diálogos Latino-americanosRubén Dario e Juan Ramón Molina.

Na ocasião do I Simpósio Internacional Diálogos Latino-americanos: Rubén Darío e Juan Ramón Molina, do qual o Instituto Ambiental Reluz figura como organizador juntamente com a Academia Espírito-Santense de Letras, UFES e SESC-Glória, eu gostaria de presta uma homenagem ao poeta nicaraguense Rubén Darío. 

 

Em 2010 iniciei uma pesquisa de doutorado intitulado "A Flor e o Cisne: diálogos entre as poéticas de Florbela Espanca e Rubén Darío, pela Universidade Federal do Espírito Santo, tendo como orientadora a Prof.ª Dra. Ester Abreu Vieira de Oliveira, que ora preside esse significativo Simpósio. 

As investigações acerca da obra do poeta me levaram à Nicarágua e por quatro vezes e cada vez mais foi nascendo em mim um carinho especial por esse país e por sua gente formada por homens e mulheres aguerridos que amam a cultivam arte da poesia. Tive a honra de representar o Brasil em cinco edições do Festival Internacional de Poesia de Granada (FIPG), considerado o maior da América Latina. Compartilho nessa singela página algumas imagens dessa andanças em busca de Darío e de sua poesia como forma de agradecimento pela hospitalidade com que sempre fui recebida e pelo amor cm que sempre fui tratada pels amigos e amigas nicas.

 

Vitória, ES- Brasil,

Renata Bomfim

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Rubén Darío 

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Dichoso el árbol que es apenas sensitivo,

y más la piedra dura, porque ésta ya no siente,

pues no hay dolor más grande que el dolor de ser vivo,

ni mayor pesadumbre que la vida consciente.

 

Ser, y no saber nada, y ser sin rumbo cierto,

y el temor de haber sido y un futuro terror...

Y el espanto seguro de estar mañana muerto,

y sufrir por la vida y por la sombra y por

 

lo que no conocemos y apenas sospechamos,

y la carne que tienta con sus frescos racimos

y la tumba que aguarda con sus fúnebres ramos,

¡y no saber adónde vamo

ni de dónde venimos...!

(“Lo fatal”/ Rubén Darío)

Há anos discute-se acerca do caráter político da obra dariana, entretanto, uma leitura crítica da obra poética de Darío deve considerar os movimentos de resistência desse poeta, num contexto sócio-político no qual a América hispânica apresentava, ainda abertas, várias feridas e cicatrizes que podem ser observadas no corpo da linguagem, resultado de uma história de colonização.

A escrita poética de Rubén Darío se inscreve em um período no qual a América hispânica buscava a liberdade por meio de variadas revoluções, mas, essa liberdade se concretizaria de forma parcial, pois, a instituição do sistema republicano nas antigas colônias espanholas, acabou reproduzindo e sedimentando muitos dos valores coloniais. Segundo Hector H. Bruit (2008, p. 9), na América Latina “o fraco desenvolvimento capitalista não configurou uma estrutura social capaz de permitir a formação de classes sociais bem definidas”, de forma que, ao longo da história, no continente, veremos burgueses com poder econômico, camponeses sem terras, e trabalhadores assalariados.

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Amar, amar, amar, amar siempre, con todo

el ser con la tierra y con el cielo,

con lo claro del sol y lo obscuro del lodo.

Amar por ciencia y amar por todo anhelo.

 

Y cuando la montaña de la vida

nos sea dura y larga  y alta y llena de abismos,

amar la inmensidad, que es de amor encendida,

¡y arder en la fusión de nuestros pechos mismos!
 

(Amo, amas. Rubén Darío)

NICARAGUA

Madre, que dar pudiste de tu vientre pequeño
tantas rubias bellezas y tropical tesoro,
tanto lago de azures, tanta rosa de oro,
tanta paloma dulce, tanto tigre zahareño:

Yo te ofrezco el acero en que forjé mi empeño,
la caja de armonía que guarda mi tesoro,
la peaña de diamantes del Ídolo que adoro
y te ofrezco mi esfuerzo, y mi nombre y mi sueño
.

Rubén Darío possui uma obra que apresenta diferentes formas de resistência. Seja por oposição ao sistema social de uma época, seja escrevendo uma ode para ganhar algum dinheiro e garantir a sobrevivência algumas vezes. Certo é que estamos diante de um poetas que foi de subjetividade transgressiva, cuja obra marcou a história da literatura.

 

À sua maneira, ele contribuiu para o processo de descolonização do saber, questionando discursos autoritários e propondo diálogos que se estenderam para além do seu tempo.

 

A descolonização, segundo Eliana Lourenço de Lima Reis (1999, p. 105), “faz-se, não pela recusa da cultura colonial, mas, pela sua assimilação inquieta e insubordinada”, que remete o escritor para um lugar enunciativo “terceiro”, ou seja, um “entre-lugar”, posição liminar do discurso direcionado à alteridade.

 

A inquietação e o inconformismo expressos tanto vida, quanto na obra de Darío, revelam uma tessitura complexa onde ao estético se imbricam o social, o político e o econômico, e onde a literatura, especialmente a poesia, adquire caráter transgressor e político.

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